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UCM ABRE ANO ACADÉMICO COM MISSA E AULA INAUGURAL SOBRE EDUCAR PARA UMA SOCIEDADE ÉTICA

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UCM ABRE ANO ACADÉMICO COM MISSA E AULA INAUGURAL SOBRE EDUCAR PARA UMA SOCIEDADE ÉTICA

As cerimónias centrais da abertura oficial do Ano Académico 2026 da Universidade Católica de Moçambique (UCM), tiveram lugar na Faculdade de Ciências de Saúde, cidade da Beira e foram presididas pelo Arcebispo da Beira e Magno Chanceler da instituição, Sua Excelência Reverendíssima Dom Cláudio Dalla Zuanna, com a presença de governantes, dentre eles o Secretário de Estado na província de Sofala, Manuel Rodrigues, o Edil da Beira, Albano Carige, os Membros de Direcção da Universidade, convidados e toda comunidade académica.

Foram dois os momentos que marcaram este solene evento da UCM, a missa presidida pelo Arcebispo da Beira e a Aula Inaugural sobre “Construir Moçambique a partir da Universidade: Educar para uma Sociedade plural, Ética e Sustentável”, proferida pelo escritor e biólogo, Mia Couto.

Durante a missa, o Magno Chanceler explicou que a instituição é católica, e isso não é um adjectivo, mas é a indicação do rumo a seguir, pois o Futuro que se pretende construir e que Começa na UCM (Aqui), é um futuro sem data de validade, que se abre à esperança de uma vida que não acaba, a vida em Deus. Por esta razão, o órfão deve encontrar amparo nesta universidade, sem distinção da sua condição social, pois a UCM não é apenas uma instituição, é uma comunidade, orientada para Deus, isto é, assegurar o amor a Deus e aos irmãos.

Na conclusão da sua homilia, Dom Cláudio falou sobre o olhar para Deus e o respeito ao próximo, como duas direcções para o futuro pretendido.    

E no segundo momento do dia, o Magno Chanceler recorreu à história para recordar aos participantes que, a Igreja Católica tem uma tradição milenar de promoção do conhecimento, dando como exemplos concretos a fundação de algumas universidades pela Igreja, o caso de Bolonha, Paris, Oxford, Salamanca, as que lançaram as bases do modelo universitário actual. Uma herança que não é motivo de nostalgia, mas de responsabilidade – ser continuador de uma tradição que sempre defendeu a complementaridade entre a fé, cultura e razão.

E continuou o seu discurso enfatizando que, a UCM distingue-se não apenas pelo que ensina, mas pelo como e por que o fazem. E a abertura ao horizonte do bem, do belo e do verdadeiro é o que distingue uma formação integral de uma formação meramente técnica. O Arcebispo, entende que Moçambique necessita de profissionais competentes, mas precisa igualmente de cidadãos íntegros, capazes de resistir à corrupção.

Numa altura em que persistem as desigualdades sociais no país, o que coloca em causa o acesso ao conhecimento, o prelado sublinhou que, a universidade deve ser um agente transformador da realidade social, sendo assim, a UCM assume a sua vocação, formar quem outros não formam, servir comunidades esquecidas.

Aos novos ingressos, o Magno Chanceler desta instituição enfatizou que estes são a razão de ser da Universidade. Continuou apelando ao grupo, “Levai daqui não apenas um diploma, mas uma visão do mundo; não só competências técnicas, mas uma consciência ética; não um título académico, mas a certeza de que fostes formados para servir.”

Intervindo na ocasião, o Reitor da UCM, Professor Doutor Padre Filipe Sungo, acolheu aos novos estudantes, ao desejar-lhes “boas-vindas”, acrescentando que a sua presença é fruto do esforço e dedicação. Reconheceu ainda que, cada um leva consigo uma história única, e na UCM encontrará terreno fértil para crescer.

O Secretário de Estado na Província, Manuel Rodrigues e Albano Carige, Presidente do Município, foram unânimes com relação ao papel das universidades na sociedade, em resposta aos desafios existentes por meio do pensamento crítico.

A cerimónia oficial da Abertura do Ano Académico 2026 na Universidade Católica de Moçambique, foi ainda marcada por uma aula inaugural ministrada pelo escritor e biólogo moçambicano, Mia Couto, sob o tema: “Construir Moçambique a partir da Universidade: Educar para uma Sociedade plural, Ética e Sustentável”.

Durante a aula, Mia Couto saudou a Universidade Católica de Moçambique, pela aposta na qualidade de ensino, lamentando a proliferação de instituições de ensino superior, cuja qualidade questiona-se, sendo “fábrica de diplomas.”

Segundo o escritor, o que trava o crescimento de Moçambique, não é a falta do conhecimento técnico, dando como exemplo o elevado índice de acidentes de viação, que não são a consequência da falta de conhecimento por parte do motorista. E por isso, defende a necessidade de ensinar os estudantes a ter ética. É importante que o país se preocupe em discutir “Quem queremos ser?” e não “Quem somos?” pois o país é plural.

O orador falou também sobre a necessidade de criar-se uma relação simbiótica entre a Universidade e a Cidade, criando debates sobre as questões sociais que tornam particular a cidade da Beira. No outro aspecto, o escritor lembrou que a corrupção é um problema global, por isso que a universidade deve transmitir aos estudantes que encontrarão no mundo este e outros problemas sociais.

Por: Rogério Maduca Joaquim – Assistente Técnico de Comunicação

Fotos: Samissone Bernardo – Assistente de Relações-públicas FCS


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