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UCM DESAFIA INVESTIGADORES A FAZEREM DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA UMA PONTE ENTRE A UNIVERSIDADE E A SOCIEDADE

JCFCS2026-15
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UCM DESAFIA INVESTIGADORES A FAZEREM DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA UMA PONTE ENTRE A UNIVERSIDADE E A SOCIEDADE

O desafio foi lançado na Sexta-feira, 14 de Agosto, pelo Vice-Reitor para área de Investigação, Internacionalização e Desenvolvimento Estratégico da Universidade Católica de Moçambique (UCM), Professor Doutor Nelson Amade, que orientou a cerimónia de abertura da XIII edição das Jornadas Científicas da Faculdade de Ciências de Saúde (FCS), em representação do Magnífico Reitor, Professor Doutor Padre Filipe Sungo.

Neste ano, a montra científica da FCS decorreu sob o lema: “Saúde Integrada – Evidências Científica, Inovação e Desenvolvimento Humano para as Comunidades Sustentáveis”. Segundo o Vice-Reitor, a saúde não deve apenas estar associada aos hospitais, medicamentos, consultas, diagnósticos e tratamento, pois, ela começa muito antes de chegar ao hospital. Acrescentando que, a questão da saúde remete ao ambiente nos rodeia, desde as condições de vida e a possibilidade de viver com dignidade.

É mesmo neste contexto, onde se encontra a cerne das Jornadas Científicas da Faculdade de Ciências de Saúde, edição XIII, a Saúde Integrada. Um conceito que reforça a ideia de que, cuidar da saúde, significa cuidar das condições que permitem a pessoa realizar plenamente sua dignidade, pois, a saúde uma dimensão transversal do desenvolvimento.

O Professor Doutor Nelson Amade recordou que, é responsabilidade da universidade produzir novos conhecimentos e colocá-los ao serviço das comunidades, por isso, não pode limitar-se em transmitir conhecimentos que já existem. Ainda nesta senda, o representante do Reitor ressaltou que, a ciência deve ajudar a questionar, compreender como transformar o conhecimento produzido em propostas de melhores políticas públicas para as comunidades.

Aos estudantes, estes que são os futuros profissionais de saúde e investigadores, o Vice-Reitor apelou para que, o conhecimento diariamente construído, permita não apenas responder às doenças, mas também compreender as causas, não apenas tratar pessoas, mas contribuir para transformar as condições que produzem vulnerabilidade e sofrimento. Outro apelo foi aos docentes e investigadores da Faculdade. Ao grupo, o Professor Doutor Nelson pediu para fazerem da produção científica, uma ponte entre a universidade e a sociedade.

A palestra da sessão principal das Jornadas Científicas da Faculdade de Ciências de Saúde, teve como oradora, a Professora Doutora Irmã Sibi Brigitte Zongo, Psicóloga e Coordenadora do Programa de Mestrado em Saúde Pública. Logo no início da sua alocução, a religiosa levou à reflexão os participantes, ao questionar: “Que tipo de saúde precisamos construir?”.

Entre as respostas, a oradora sublinhou que precisamos de um sistema de saúde que combine tratamento e prevenção, que utiliza a ciência considerando o contexto social e cultural, e incorpore a tecnologia sem criar novas formas de exclusão.

A Ir. Sibi explicou que a saúde integrada exige um pensamento sistémico, pois os resultados em saúde não são produzidos por único factor. Por exemplo, tratar uma doença sem considerar as condições socioeconómicas e ambientais que contribuem para sua manutenção, podem limitar os resultados alcançados.

Com relação à produção de evidências científicas, a religiosa defendeu que, saber que uma determinada intervenção funciona, não é suficiente para aplicá-la. É importante ainda considerar as seguintes questões: – Para quem funciona? – Em que contexto e condições? – Pois uma intervenção que demonstra eficácia num ambiente controlado, pode não produzir os mesmos resultados quando implementadas no serviço real. Dai que, a saúde integrada exige uma aproximação entre a produção científica e a realidade do sistema de saúde.

No contexto moçambicano, a oradora diz que a implementação da saúde integrada significa, reorganizar e reconectar o que já existe, aproximar a investigação do serviço de saúde, às políticas públicas das necessidades das comunidades e inovação dos problemas reais enfrentados.

A saúde é uma construção colectiva, exige ciência e acção, inovação e equidade, mas, acima de tudo exige que a pessoa esteja no centro. A saúde que se pretende construir, é uma saúde que previne, integra, inove, escute e inclua, que não se limite em acrescentar anos à vida, mas vida aos anos, concluiu a oradora.

Com participação dos Membros de Direcção das Unidades Orgânicas existentes na Beira, docentes, pesquisadores e estudantes, a XIII edição das Jornadas Científicas da Faculdade de Ciências de Saúde, teve ainda sessões paralelas distribuídos por painéis temáticos, onde foram apresentados acima de 50 trabalhos científicos. Este evento, foi mais uma oportunidade para promoção de novas parcerias e fortalecimento do compromisso da Unidade Orgânica com a produção de conhecimento relevante para o desenvolvimento sustentável das comunidades.

Por: Rogério Maduca Joaquim – Assistente Técnico de Comunicação

Fotos: Samissone Bernardo – Assistente de RP – FCS