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Palestra sobre Inteligência Artificial e Dignidade Humana marca visita do Núncio à Extensão de Maputo

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Palestra sobre Inteligência Artificial e Dignidade Humana marca visita do Núncio à Extensão de Maputo

Palestra sobre Inteligência Artificial e Dignidade Humana marca visita do Núncio à Extensão de Maputo

O Núncio Apostólico em Moçambique, Sua Excelência Reverendíssima Dom Luís Miguel, visitou na Quinta-feira, 30 de Setembro, a Universidade Católica de Moçambique (UCM) – Extensão de Maputo. Nesta que foi a sua primeira visita, o Representante da Sua Santidade, Leão XIV em Moçambique teve a oportunidade de conhecer a oferta formativa disponível na Unidade Orgânica.

Um momento marcante da presença de Dom Luís Miguel, foi a palestra por ele proferida sobre “Inteligência Artificial e a Dignidade Humana a Luz da Encíclica Magnifica Humanitas“, ocasião testemunhada pelo Magnífico Reitor, Professor Doutor Padre Filipe Sungo, e Membros de Direcção da Extensão de Maputo, docentes e estudantes.

Na saudação ao Núncio Apostólico, o Magnífico Reitor falou da sua presença como sinal de proximidade da Santa Sé para com a Universidade Católica de Moçambique, por isso agradeceu. Com relação ao tema da palestra, o dirigente reconheceu a actualidade do mesmo, acrescentando que a Inteligência Artificial deixou de ser uma promessa distante, isto é, está presente no modo como se estuda, investiga, comunica e toma decisões. Reconheceu ainda as potencialidades desta ferramenta, pelo facto de esta abrir possibilidades extraordinárias no ensino, na saúde, na agricultura e na gestão pública. Ainda assim, o Reitor explicou que, há perguntas que nenhuma máquina pode responder pelos homens – Quem decide, em benefício de quem e dentro de que limites?

Segundo o Professor Doutor Padre Filipe Sungo, foram estas as questões que, o Papa Leão XIV dedicou a sua primeira encíclica – Magnifica Humanitas. Um documento que tal como a Rerum Novarum de Leão XIII, procurou responder às novas coisas da revolução industrial e hoje, somos chamados a discernir as grandes transformações do nosso tempo, procurando permanecer humanos.

E em resposta ao desafio, a UCM deve formar profissionais competentes no uso das novas tecnologias, mas também dotadas de pensamento critico, responsabilidade ética e de sentido de serviço.

Durante a palestra, Dom Luís Miguel elencou 10 afirmações fundamentais que no seu entender, são alicerces para compreender os desafios da Inteligência Artificial na actualidade. Segundo o Núncio, sabe-se muito pouco sobre o funcionamento efectivo da IA e dos algoritmos, por isso, defendeu ser urgente o aprofundamento da investigação científica sobre a ferramenta e um exercício de discernimento moral.

Outro aspecto considerado essencial na reflexão do Núncio, é o colonialismo digital, visto que o poder tecnológico está concentrado em poucos indivíduos. Para o representante do Papa em Moçambique, esta situação aumenta o risco de um desenvolvimento distorcido que gera novas dependências, exclusões, manipulações e desigualdades.

Num contexto de guerras, a inteligência artificial pode reforçar a defesa e protecção de civis, reconhece Dom Luís, mas alerta que, esta mesma ferramenta pode facilitar o uso da força e tornar responsabilidades menos claras. Por isso mesmo, o prelado sublinhou que, o uso da IA no campo bélico deve estar sujeito a um compromisso ético, no respeito pela dignidade humana, pois não é lícito confiar a sistemas artificiais decisões letais.

Este evento foi um espaço de debate e reflexão destas temáticas atuais e de extrema importância para a comunidade, agregando valor à comunidade académica.


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