Detalhes do Projecto
Entre os actores do programa destacam-se:
- Recuperar Ecossistemas Degradados Dentro e na Zona Tampão da Reserva Nacional do Niassa – Província do Niassa
- Descrever os Ecossistemas Degradados;
- Plantar Espécies Florestais Nativas Aferidas nos Ecossistemas Degradados;
- Monitorar o Plantio das Espécies Florestais Nativas e o seu Impacto.
O período de vigência do projecto é de cinco anos (5 anos) e obedecerá três (3) fases: Pesquisa, Reflorestamento e Monitoria e Avaliação.
A pesquisa consistirá na identificação, análise documental e caracterização dos ecossistemas degradados, buscando informações detalhadas sobre o estado original ou suas condições naturais (antes da degradação) bem como, o seu estágio actual (pós degradação). Posto isso, culminará com a identificação do estrato arbóreo, arbustivo e herbáceo que melhor contribuíram para a recuperação do ecossistema.
Nesta etapa, será possível mapear os ecossistemas degradados e estimar a área atingida pela degradação, bem como, mostrar os distritos abrangidos pela degradação dos seus ecossistemas a nível da Reserva Nacional do Niassa, na Província do Niassa.
Realizar-se-ão estudos do histórico de ocupação do solo e análises do estado actual do solo, nas áreas afectadas pela degradação e nas zonas circunvizinhas, buscando as seguintes informações: nutrientes, nível de compactação e acidez no solo para possíveis correções. Estudo do clima, para se perceber a precipitação media, temperatura media, velocidade do vento, bem como, o levantamento dos cursos de água que alimentam os ecossistemas em estudo, e verificar-se-á o seu estado de conservação para possíveis intervenções.
Far-se-á o levantamento florístico por meio de estudo fitossociológico dentro da área degradada, e em áreas equiparadas ao estado original (antes da degradação) sobre o estrato herbáceo, arbustivo e arbóreo. Importa conhecer os diferentes estratos pois, em função do estágio de degradação, pode ser necessário a reposição da vegetação a partir do estrato herbáceo que contribuirá na identificação da fauna.
O levantamento da fauna será feito por meio de observação de pegadas, excrementos, e tipo de habitat presentes nas áreas degradadas e ao redor, isto contribuirá para a identificação do pasto a ser eleito na reposição da vegetação.
Para tal, serão feitas visitas de campo, para levantamento dos dados por meio de inventário florestal e faunístico, estudo do clima, coleta de amostras de solo e entrevistas a grupos focais, como os gestores da Reserva Nacional do Niassa, Anciões das comunidades atingidas pela degradação, gestores comunitários, ONG e as entidades governamentais, as actividades serão realizadas com o intuito de busca de informações sobre o histórico dos elementos da paisagem, o seu estado, bem como, na identificação das causas da degradação.
Resultados esperados do Programa:
- Reflorestamento
Após o levantamento das características do meio biológico e do meio físico da área a ser recuperada, será feita, a seleção das espécies nativas com boa capacidade de resistência ao ambiente degradado e adaptáveis ao clima da região, que melhor responderão ao objectivo do projecto.
Pretende-se plantar e/ou semear trezentas mil (300000) plantas de espécies diferentes, com meta anual de setenta e cinco mil (75000) em mudas e em bolas de semente. As mudas serão produzidas em viveiros locais com localização geográfica estratégica distribuídos em três distritos nomeadamente Mecula, Mavago e Majune.
Nesta fase, será necessário identificar e selecionar as espécies arbustivas e arbóreas nativas para compor o plantio desejando, tomando em consideração os seguintes aspectos:
- Rápido Crescimento: um dos objectivos desse plantio é combater a vegetação invasora.
- Vigor da Espécie: ajuda a semente a germinar sob condições desfavoráveis e estabelecer um rápido e uniforme crescimento, tanto no campo definitivo, assim como no viveiro.
- Espécies Melíferas: atração das abelhas que contribuirão na polinização.
- Alta Produção de Frutos: ajuda a acelerar a ocupação rápida de áreas degradadas e enriquecendo o banco de sementes no solo.
- Espécies Atrativas da Fauna: acelera o processo de regeneração das espécies plantadas de modo a produzir frutos que atraiam animais dispersores.
- Interações Ecológicas: ajudam a entender os nichos ecológicos e conhecer os seus habitats.
- Facilidade na coleta e/ou aquisição de sementes e mudas: ajudará no processo de propagação.
As sementes serão coletadas em uma área natural, de coleta de semente ou área de coleta de semente denominadas ACS. Para obter-se sementes de qualidade observar-se-á os seguintes factores:
- Fenológicos de cada espécie;
- Método de coleta;
- Características fenotípicas da planta matriz;
- Idade da planta matriz;
- Condições climáticas (umidade relativa do ar, precipitação pluviométrica e temperatura);
- Fertilidade do solo e nutrição da planta matriz;
- Genética.
Actividades a serem realizadas na colheita de semente:
- Inventario Florestal;
- Escolhas ou seleção das Árvores Matrizes;
- Georreferenciamento das Árvores Matrizes;
- Extração da semente;
- Beneficiamento da semente;
- Secagem e armazenamento (se aplicável).
As mudas e as bolas de semente serão produzidas em um viveiro florestal, com cobertura de telas plásticas (sombrite de 50% luz e 50% sombra) e cercas feitas com estacas, com capacidade de produzir trinta mil (30000) mudas para cada região ou distrito. O viveiro estará sob gestão comunitária e supervisionada pela equipe de gestão do projecto (UCM-FAGREFF).
Para a produção de mudas será necessário os seguintes passos:
- Capacitação de agentes comunitários em matérias de produção de mudas;
- Testes de Germinação da semente;
- Escolha do local do viveiro;
- Estabelecimento do viveiro;
- Construção dos canteiros;
- Estabelecimento do sistema de irrigação;
- Preparo do substrato para as mudas e bolas de semente;
- Enchimento das bolsas;
- Sementeira;
- Maneio (irrigação, adubação, desbaste/raleio, monda, dança/movimentação);
- Maneio fitossanitário (pragas e doenças);
- Rustificação.
O processo de plantio dependerá de região para região, observando os grupos ecológicos das espécies selecionadas para o plantio.
- Plantio de Mudas
O plantio das mudas será manual, o arranjo das espécies será conforme a fitossociologia original. Por meio das seguintes actividades:
- Preparo do solo;
- Adubação;
- Marcação e abertura dos covachos/covas;
- Plantio,
- Plantio das Bolas de Semente
As bolas de sementes serão usadas para plantar em locais de longo alcance por meio do arremesso das bolas ou ainda com o uso de um helicóptero, para efectuar o plantio não existe uma regra pré-estabelecida, condicionando assim, a ocorrência de um duplo plantio de árvores em áreas bastante próximas.
A monitoria será rotineira e dependerá das especificações, e para tal serão realizada as seguintes actividades de controlo e maneio:
- Inventário de sobrevivência
- Avaliação do crescimento;
- Avaliação de Sanidade;
- Aplicação de restos vegetais (cobertura morta);
- Abertura de aceiros (controle de queimadas descontroladas);
- Pratica Silvicultural;
- Montagem de poleiros artificias (para atração da avifauna).
O critério de avaliação para o projeto de reflorestamento implementado inclui avaliação de processo e impacto.
A avaliação do processo ocorrerá no final de cada fase do projeto para revisar metas, estratégias e planos de trabalho, com base nas modificações e melhorias implementadas por meio de um processo de replaneamento construtivo.
A avaliação de impacto será no final do projeto para investigar se o projeto atingiu ou não seus objetivos e tentativas. Examinará o impacto do projeto e seu efeito sobre os ecossistemas degradados por meio do reflorestamento de espécies nativas e atração da fauna. Isso será feito por meio de coleta de dados, entrevistas e pesquisas.







